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Page Content Publicado em 14/07/2011 – Jornal O Estado de São Paulo
Menos de 4% das escolas que recebem verba do município para atender crianças de 0 a 3 anos estão em situação regular com a diretoria de educação de sua região; elas apresentam falhas de segurança e infraestrutura ou documentação incompleta.
Ocimara Balmant - O Estado de S.Paulo ESPECIAL PARA O ESTADO
Menos de 4% dos Centros de Educação Infantil (CEI) conveniados com a Prefeitura de São Paulo têm autorização da Diretoria Regional de Educação para funcionar. Dados do Ministério Público mostram que, de 975 creches conveniadas com a Secretaria Municipal de Educação (mantidas por entidades filantrópicas com verba da Prefeitura), apenas 36 são autorizadas.
"Abrimos um inquérito civil por causa do grande número de denúncias que recebemos", explica João Paulo Faustinoni e Silva, promotor do Grupo de Atuação Especial de Defesa da Educação (Geduc). "Há casos em que os entraves são meramente burocráticos, mas há outros que envolvem questões de segurança, higiene e estrutura pedagógica."
Para receber a autorização de funcionamento da Diretoria Regional de Educação, a creche precisa apresentar uma série de documentos, entre eles comprovante de pagamento de impostos e cadastro na Vigilância Sanitária, apresentar o projeto pedagógico e passar por vistorias, feitas por supervisores escolares. São eles que analisam a infraestrutura da escola, que inclui questões de segurança e higiene, e o corpo docente.
"Todas essas instituições recebem visita dos supervisores, que deferem ou não a autorização. Se não deferiram, algum problema há, seja burocrático ou não", afirma Faustinoni e Silva.
Denúncias encaminhadas ao MP listam problemas como falta de extintor nas creches, escadas sem corrimão, presença de ratos e carência de áreas de recreação, entre outros. "Como é tudo em caráter de urgência, acabam fazendo adaptações precárias e usam espaços inadequados", diz Cláudio Fonseca, presidente do sindicato dos professores municipais (Sinpeem). "A criança não tem o parquinho, tem o brinquedo pintado na parede colorida."
O uso dos convênios é uma política municipal para ajudar a suprir a demanda por vagas para crianças de 0 a 3 anos. Neste ano, há 137.889 matriculadas em creches conveniadas, mais do que o dobro da quantidade que estuda em unidades próprias, que são 55.271. Mesmo assim, há mais de 127 mil à espera de uma vaga.
Na região de Guaianases, na zona leste, por exemplo, dos 155 estabelecimentos conveniados, nenhum tem autorização. Um dos procedimentos instaurados pelo MP investiga irregularidades no Centro de Educação Infantil São Lucas 2, no distrito de Lajeado. Segundo a denúncia, a instituição, que recebe R$ 96 mil mensais para atender 290 crianças, tem problemas pedagógicos, como falta de professores, e de infraestrutura, como mobiliário insuficiente no refeitório, o que faz os alunos se alimentarem no chão. Também faltam roupa de cama e mamadeiras.
Problemas. Um relatório do Tribunal de Contas do Município (TCM) já havia apontado, em 2009, que as creches conveniadas têm qualidade inferior à das unidades próprias da administração. Segundo o documento, há menos professores preparados - 1 docente com formação universitária para cada 59,5 alunos, enquanto nas unidades gerenciadas pela prefeitura a taxa é de 1 para 4,8 crianças.
A auditoria também mostrou que a jornada dos educadores na rede própria era de 30 horas semanais, sendo 5 para a preparação de atividades. Na conveniada, subia para 40 horas, sem tempo para planejamento.
"As estruturas são desiguais, o que é errado. Se o governo atentasse ao padrão mínimo de qualidade, deveria fechar muitas dessas conveniadas", diz Salomão Ximenes, membro do Movimento Creche para Todos. "Em nome do aumento das vagas e de um gasto menor do que custam as creches diretas, essas estruturas continuam funcionando."
Unidades têm laudo técnico, afirma secretaria
Ocimara Balmant - O Estado de S. Paulo
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação disse que todas as creches têm laudo técnico e seguem o que está estabelecido na portaria de convênios, que detalha condições de segurança e requisitos pedagógicos.
Segundo a secretaria, recentes portarias "consolidam a possibilidade de celebração de convênio com a autorização provisória de funcionamento" e, nos próximos dias, será editada uma outra, específica, para "instituir normas para concessão de autorização".
A nota também afirma que a creche São Lucas 2, que fica na região de Guaianases, foi denunciada à Prefeitura no dia 1º por não cumprir as exigências que garantem segurança e qualidade no atendimento. Nos próximos dias, outra entidade assumirá a administração da unidade, sem interrupção do atendimento às crianças.
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22/02
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Pesquisa investiga por que mulheres preferem cesárea
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Publicado no Jornal Folha de São Paulo, em 19/02/2012
Para especialistas, fatores culturais somados à falta de leitos nas rede pública e privada afastam mulher do parto normal
Medo de sentir muita dor e preocupação com sexualidade também aumentam preferência por cesáreas
Sabine Righettide São Paulo
Fatores culturais e falta de informação são alguns dos motivos que levam à preferência nacional pelo parto com data marcada.
Hoje, o Brasil é um dos recordistas mundiais em partos cesarianos. Em 2010, o número de nascimentos cirúrgicos chegou a 52%, passando os partos normais.
A preocupação com a quantidade de cirurgias no nascimento é tanta que o Ministério da Saúde vai fazer uma pesquisa com 24 mil mulheres para entender o que leva à escolha da cirurgia com data marcada para dar à luz.
O trabalho vai verificar qual é a indicação médica e os motivos que levaram a mulher a escolher um determinado tipo de parto -normal, cesárea ou até em casa.
A hipótese é que fatores culturais contem muito nesse tipo de decisão.
"A mulher brasileira se preocupa com a sexualidade e teme que o parto altere o períneo, o que é é um mito", diz Vera Fonseca, diretora da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e do Conselho Federal de Medicina.
Medo da dor
O medo da dor também afasta a mulher do parto normal. "Temos uma imagem de parto normal como se vê no cinema, com dor e sofrimento. Isso afasta as mulheres da opção natural", analisa a historiadora da ciência Germana Barata, da Unicamp.
De acordo com a ginecologista da USP, Sonia Penteado, alguma mulheres que tentam enfrentar a dor do parto não aguentam.
"Já tive pacientes que chegaram a ter dilatação completa no parto, mas não toleraram a dor e pediram para que fosse feita a cesárea", conta.
Esse tipo de intervenção é possível no sistema privado. "No público, a mulher tem de aguentar a dor porque faltam cirurgiões", diz Penteado.
A proporção de quantidade de cesáreas no SUS gira em torno de 37% dos nascimentos. Na rede privada, o percentual sobe para 82%.
Decisão do médico
Mas, além da cultura, a opinião dos médicos também conta -e muito- na decisão.
"Nunca chegou uma paciente no meu consultório dizendo 'quero cesárea e pronto'", diz Penteado.
Segundo ela, a maioria das mulheres decide com seu médico o tipo de parto.
Ela recomenda parto normal a suas pacientes desde que não existam fatores de risco, como hipertensão. Hoje, a doença é a principal causa de morte de mulheres no parto no Brasil (na Europa e nos EUA é a hemorragia).
Para Fonseca, muitos médicos incentivam a cesárea por receio de falta de leitos, inclusive na rede privada.
O Brasil tem 0,28 leito para cada mil usuários do SUS (Sistema Único de Saúde) -o que, de acordo com o Ministério de Saúde, atende a demanda. Mas países desenvolvidos têm o dobro disso.
"Se a paciente entra em trabalho de parto de maneira inesperada, corre risco de não ter vaga. Isso dá insegurança para o médico."
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17/02
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Investimentos na primeira infância ajudam a combater a pobreza, diz especialista da OEA
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Publicado no Portal da Secretaria de Assuntos Estratégicos, no dia 14/02/2012
Os investimentos na primeira infância são um importante fator para a redução da pobreza de um país, disse hoje (14/02), a consultora sênior da Organização dos Estados Americanos (OEA), Gaby Fujimoto, durante reunião promovida pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE).
Gaby apresentou um panorama sobre as principais experiências mundiais, no que se refere à formulação de políticas públicas, a um grupo de especialistas na área, técnicos e autoridades do governo, formado por cerca de 60 pessoas.
O objetivo da reunião foi debater e discutir as melhores práticas adotadas tanto no ambiente internacional, como no nacional, por meio de iniciativas dos governos federais, estaduais e municipais.
“Os incentivos à primeira infância e aos programas de desenvolvimento nos ajudam a sair de uma situação de pobreza. Isso terá importantes reflexos na economia de um país”, disse.
Entre os diversos critérios adotados em programas internacionais voltados para a primeira infância, a especialista destacou a necessidade de desenvolver uma política nacional que seja integrada nos três níveis da federação.
O desenvolvimento de um programa de atenção integral ao desenvolvimento da criança, o fortalecimento das instituições federais, estaduais e municipais responsáveis pela gestão dos programas, a definição de regras claras, os investimentos em qualificação profissional e a melhoria das condições de trabalho também foram defendidos por Gaby.
Gaby Fujimoto ressaltou ainda alguns elementos, que segundo ela são considerados pela OEA e por outras instituições envolvidas com o tema, como importantes para o sucesso do desenvolvimento de programas.
“É preciso haver financiamento e as parcerias público-privado são importantes. Além disso, o respeito às características e referências de cada região também deve ser levado em conta. É necessário combinar estratégias respeitando as necessidades da criança”.
O subsecretário de Ações Estratégicas da SAE, Ricardo Paes de Barros destacou que o Brasil é um país rico em termos de políticas públicas voltadas para a primeira infância e o grande desafio é promover a integração das iniciativas existentes.
“Para consolidar, coordenar e integrar as nossas políticas é importante saber o que o mundo está fazendo. Desta forma podemos agregar ideias. No Brasil também temos vários estados, municípios e organizações da sociedade civil que estão desenvolvendo, há algum tempo, ações que podem ser nacionalizadas”, afirmou Paes de Barros.
A discussão também contou com a participação do deputado Osmar Terra (PMDB/RS), que é coordenador da Frente Parlamentar da Primeira Infância. A frente tem como objetivo principal o aperfeiçoamento da legislação sobre a primeira infância no Brasil.
“No Congresso Nacional estamos em um processo de aprofundar o conhecimento nesta área do desenvolvimento humano, que é tão importante. Estamos extremamente interessados no andamento das negociações e das articulações que envolvem os órgãos de governo para o desenvolvimento de políticas públicas que sejam mais abrangentes e que possam causar um grande impacto no desenvolvimento das nossas crianças e da sociedade futura”, disse.
http://www.sae.gov.br/site/?p=10604
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14/02
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Crianças participam de projeto para ganhar autonomia logo nos primeiros anos de vida
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Programa transmitido em rede nacional, pela GloboNews, destaca Projeto de Intervenção Local desenvolvido pela FMCSV em Itupeva. Reportagem mostra os estímulos que as crianças recebem nas creches para desenvolverem mais autonomia e auto-segurança.
Confira no link abaixo:
http://g1.globo.com/globo-news/via-brasil/videos/t/todos-os-videos/v/criancas-participam-de-projeto-para-ganhar-autonomia-logo-nos-primeiros-anos-de-vida/1789035/
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10/02
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Dores infantis não devem ser subestimadas
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Publicado no Portal IG Delas, em 06/02/2012
Pediatras explicam por que os pais devem dar atenção às queixas das crianças e ensinam a distinguir uma manha de um sintoma real
Renata Losso, especial para o iG São Paulo
É tão comum as dores das crianças aparecerem pouco antes de um momento desafiador – a volta às aulas, por exemplo – que se torna fácil descartá-las sem maiores investigações. Diante da dor de barriga súbita na hora de ir para a escola, os pais costumam ignorar a reclamação ou medicar a criança por conta própria. Nenhuma das atitudes é a correta.
Ao final de 2011, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou o “Consenso sobre Dores Pouco Valorizadas em Crianças”. O trabalho, com orientações dos profissionais da área sobre dores comumente desconsideradas, foi coordenado pelo pediatra Cláudio Len, professor do Departamento de Pediatria da Unifesp e membro da SBP.
“Vejo muitos pais dando analgésicos aos bebês com cólicas ou dores pela erupção dental. Não há dúvidas de que tomar essa atitude todas as vezes terá efeitos colaterais para a criança”, diz.
Para acalmar a dor do filho na hora, alguns pais exageram na dose e usam remédios prolongadamente. “Às vezes o filho já é adolescente e, por praticar esportes, sente dores no pé ou no joelho. Os pais medicam e perdem a noção”, comenta Len.
Se usados com frequência, analgésicos podem ocasionar problemas no fígado e, no caso de antiinflamatórios não hormonais, gastrite e inflamações no rim. Há ainda o risco de o pai dar o remédio e, sem saber, a mãe repetir a dose mediante outra queixa da criança. O resultado pode ser até intoxicação.
Queixas comuns
De acordo com a pediatra Mariana Granato, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, dor de cabeça, dor abdominal e dores em membros do corpo, principalmente nas pernas, são as queixas infantis mais comuns. Se forem recorrentes, os pais devem refletir sobre a razão das manifestações, em vez de apenas tratá-las com remédios.
“A dor pode ser um sinal de que algo não está indo bem na vida da criança”, sugere a pediatra. Se ela reclama de dor de cabeça sempre que deve ir à natação, talvez esteja tendo problemas com os colegas ou simplesmente cansou de uma agenda cheia de compromissos.
Mas é preciso fazer uma investigação sobre as causas da dor. Além de manifestações de um desconforto emocional, uma dor de cabeça recorrente pode ser sinal de enxaqueca, assim como uma dor de barriga recorrente pode sinalizar gastrite ou obstipação intestinal (também conhecida como prisão de ventre).
As dores em membros do corpo, segundo o pediatra Cláudio Len, podem ser tanto as chamadas dores de crescimento como a fibromialgia juvenil -- dores musculares crônicas que podem atrapalhar bastante a vida da criança. Independentemente de sua origem, nem sempre as dores irão impedir a criança de se alimentar bem ou ir para a escola.
Como saber se uma dor é de verdade?
Na maioria das vezes, uma dor de cabeça realmente irá passar sozinha. Mas nenhum pai quer que o filho sofra com frequência. Como correr para o vidro de remédio não é a solução, conhecer bem a criança e aprender a graduar o nível de desconforto dela é o ideal. Se a criança acorda de madrugada reclamando, é sinal de que o problema não é tão passageiro e está atrapalhando.
“Quando a criança apresenta, além da queixa da dor de cabeça, algum outro sintoma associado, como o vômito, a reclamação merece atenção”, orienta Len. Dor em algum membro do corpo, recorrente e associada à perda de peso, também é preocupante, assim como mudanças de hábitos, queda do ritmo escolar e distanciamento dos amigos. De acordo com Cláudio Len, que também realiza pesquisas no campo da dor, a fibromialgia também está ligada a alguns sintomas da depressão.
O pediatra Marcelo Reibscheid, do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo, sugere uma técnica simples e muito eficaz. Na hora da reclamação, ele indica aos pais usar placebo em vez de remédio. Os pais podem dar um chá à criança, no mesmo copinho usado para o analgésico. Se a dor passar depois de dez minutos, é sinal de que não era realmente nada. Se a queixa persistir, vale consultar um pediatra para investigar o problema.
Segundo Cláudio Len, a dor que não é orgânica deixa de existir quando a criança para de pensar no assunto e está contente com outra atividade.
Além de somente procurar tratamento para a dor dos filhos, os pais devem buscar maneiras de preveni-la. Para isso, nada melhor que uma vida saudável, com rotina adequada ao ritmo infantil. “Na maioria das vezes as dores crônicas estão ligadas a hábitos errados de vida, como noites de sono mal dormidas, sedentarismo, má alimentação e muito tempo diante da televisão”, afirma Cláudio Len.
http://delas.ig.com.br/filhos/dores-infantis-nao-devem-ser-subestimadas/n1597613018964.html
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09/02
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Pesquisa avalia motivos para a preferência por cesariana
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Publicado na Agência Fiocruz de Notícias, em 09/02/2012
Catarina Chagas
“O Brasil é campeão do mundo em partos cesarianos”, afirma a epidemiologista Silvana Granado Nogueira da Gama, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fiocruz. Foi essa a constatação que motivou o trabalho de seu grupo de estudos na investigação dos fatores médicos, econômicos e culturais que levam às altas taxas de partos operatórios no país, sobretudo em serviços privados. O estudo foi composto de entrevistas e consultas aos prontuários de 437 grávidas atendidas em duas unidades do sistema de saúde complementar do Estado do Rio de Janeiro.
Para selecionar as instituições participantes, o critério foi, além do grande volume de partos, a clientela heterogênea das unidades, que atendem mulheres de diferentes classes sociais, faixas etárias e níveis de escolaridade. As entrevistas foram realizadas em 2006 e 2007 e abordaram todo o período de gestação das entrevistadas, questionando-as sobre sua preferência pelos tipos de parto no início e no final da gravidez, ambos posteriormente comparados ao tipo de parto efetivamente realizado.
Em relatório encaminhado à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a equipe da Fiocruz, que trabalhou em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, relatou que, embora 70% das gestantes não tenham manifestado preferência pela cesariana no início da gravidez, 90% delas tiveram esse tipo de parto. “Essas taxas não parecem se relacionar a fatores exclusivamente médicos, mas também a questões socioeconômicas e culturais”, explica Silvana. “Existe uma crença, principalmente nos níveis socioeconômicos mais elevados, de que a qualidade do atendimento obstétrico está associada à tecnologia utilizada no parto operatório”.
Segundo a pesquisa, entre os motivos para a opção pela cesariana estão o medo de sentir dor no parto normal – apesar da anestesia peridural e outros métodos não farmacológicos –, a preferência do parceiro, o histórico familiar, a experiência de partos anteriores e o desejo de ligar as trompas. Ao final da gestação, a porcentagem de mulheres que preferiam parto cesáreo dobrou em relação às preferências no estágio inicial da gravidez, atingindo 70% das entrevistadas. A justificativa para a mudança incluiu principalmente complicações como hipertensão, circular de cordão e alto peso do feto.
“Mesmo nesses casos, nem sempre a cesárea é indicada”, adverte a pesquisadora. Para detectar a real necessidade de parto operatório, os pesquisadores contaram com a avaliação independente de dois obstetras, que, caso divergissem, discutiam o caso para chegar a um consenso. A análise apontou que 91,8% das indicações de cesáreas foram inadequadas, de acordo com as observações no prontuário das pacientes.
Os resultados indicam que, na maioria das vezes, os médicos não buscam técnicas alternativas como fórceps e vácuo, cujo uso não foi relatado no estudo. “No mundo inteiro essas técnicas são utilizadas durante partos vaginais complicados e a ausência de parto instrumental no grupo estudado sugere uma opção dos profissionais da iniciativa privada pela cesariana”, interpreta a epidemiologista. “Por outro lado, o grande número de mulheres que buscam a cesariana para obter a laqueadura marca a necessidade de ampliar o acesso a outros métodos contraceptivos e à informação sobre outras formas desse procedimento”.
Outro dado observado foi o elevado índice de internações precoces das gestantes, o que ocasiona uma maior taxa de intervenções médicas. Em muitos casos, a cesariana foi feita sem tentativa de parto normal e apenas 8% das mulheres submetidas ao parto operatório haviam entrado em trabalho de parto. “Com a banalização da cesariana, as mulheres não estranham mais que os médicos indiquem tantas cirurgias e acabam abrindo mão de seu desejo inicial por um parto normal e concordando com a realização da mesma”, comenta.
A pesquisadora alerta ainda que a literatura médica assinala a possibilidade de complicações maternas e neonatais associadas à realização de cesarianas sem indicações obstétricas reais. A conscientização e maior informação das gestantes é estratégica para a reversão desse quadro e esta é a próximo etapa de pesquisa da equipe da Ensp, que iniciará um trabalho de incentivo ao parto normal em Belo Horizonte.
http://www.fiocruz.br/ccs/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1539&sid=9
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08/02
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Como os pais podem avaliar o comportamento?
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Publicado no Site Revista Pais & Filhos, em 07/02/2012
É preciso se informar para medir se o desenvolvimento da criança está adequado
Avaliar os comportamentos das crianças é difícil e complexo para os pais e também para os profissionais. Não temos um exame de sangue ou outro recurso para isso – além de nossas próprias observação e experiência. Criam-se mitos populares, e alguns deles até fazem parte de conselhos médicos, como “seu filho está com 2 anos, nada fala, mas vamos esperar até os 3 anos...”.
E aí se vai um tempo precioso, praticamente 50% da vida desta criança, na espera de que algum estalo aconteça e dispare sua fala. E poderemos estar diante de uma criança com deficiência auditiva ou, então, de um transtorno autístico, problemas em que um diagnóstico precoce faz diferença.
A primeira atitude dos pais deve ser olhar, acompanhar de perto e entender o desenvolvimento da criança.Vejamos algumas dessas situações:
a) Conhecer as etapas do desenvolvimento motor (quando sustenta a cabeça, senta e anda).
b) Como se desenvolve a fala (primeiras sílabas e palavras, frases curtas, frases longas, trocas de sílabas).
c) Observar como interage com os familiares e outras crianças (brinca sozinho, faz bom contato olho no olho quando solicitada, sabe esperar, perder, ganhar).
d) É muito agressiva e reage bruscamente sem motivo.
e) Dorme à noite em seu quarto e em horário certo.
f) Aceita bem os alimentos.
O que quero dizer com isso é que os pais precisam se informar com leituras e esclarecimentos com seu pediatra para estarem permanentemente verificando como está o desempenho de seus filhos.
Conversar com os amigos que têm filhos na mesma idade também é válido, mas isso deve ser feito com cuidado. É importante lembrar que essas aquisições e, principalmente, os comportamentos possuem características individuais – que também vão se modificando com o crescimento da criança. Além disso, algumas dessas aquisições não têm data precisa para se instalarem, mas um período flexível e que deverá ser corretamente aferido, seja pelos pais, seja pelos profissionais.
Dr. Saul é professor livre-docente de neurologia infantil, consultor do programa de desenvolvimento infantil da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, diretor do instituto de desenvolvimento integrado (indi) e neuropediatra
http://revistapaisefilhos.com.br/saude/com-a-palavra-o-especialista/como-os-pais-podem-avaliar-o-comportamento
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07/02
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Governo inclui duas novas vacinas para crianças
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Publicado em 02/02/2012 no Site Portal Sempre Materna
O Governo Federal anunciou que vai ampliar o calendário básico de vacinação infantil com duas novas vacinas: a injetável contra a poliomielite (VIP) e a vacina pentavalente, que reúne em uma só dose a proteção contra cinco doenças (difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenza tipo b e hepatite B).
A inclusão será feita a partir do segundo semestre. A dose da VIP será aplicada apenas em crianças que estão iniciando o calendário de vacinação. A primeira etapa começa em 16 de junho. Nela, todas as crianças menores de cinco anos receberão uma dose da vacina oral, independente de terem sido imunizadas anteriormente. Na segunda etapa, prevista para agosto, as cadernetas de vacinação de menores de cinco anos serão avaliadas para atualização.
Já a pentavalente será aplicada aos dois e aos quatro meses de idade e a vacina oral continuará sendo utilizada nos reforços, aos seis e aos 15 meses de vida. “Com a inclusão da pentavalente, vamos reduzir uma picada nas crianças, diminuindo as idas aos postos”, explicou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A partir do novo esquema, além da pentavalente, a criança manterá os dois reforços com a vacina DTP (difteria, tétano, coqueluche). O primeiro a partir dos 12 meses e o segundo entre quatro e seis anos. Recém-nascidos continuam a receber a primeira dose da vacina Hepatibe B nas primeiras 12 horas de vida para prevenir a transmissão vertical.
Segundo o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, o Ministério da Saúde está trabalhando para ampliar o número de vacinas combinadas, que reúne proteção a mais de uma doença em uma mesma apresentação. “Com isso, temos o benefício de melhorar a administração da vacina em crianças com dois ou três anos”, diz.
http://semprematerna.uol.com.br/manual-bebe/governo-inclui-duas-novas-vacinas-para-criancas
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02/02
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Crianças criadas com afeto têm maior hipocampo
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Publicado no Portal IG em 01/02/2012
Estudo mostrou que há um forte vínculo entre a interação com os pais e o tamanho de área cerebral encarregada da memória
Pesquisadores mostraram que afeto pode provocar mudanças anatômica no cérebro
As crianças criadas com afeto têm o hipocampo - área do cérebro encarregada da memória - quase 10% maior que as demais, revela um estudo publicado nesta segunda-feira pela revista "Proceedings of the National Academy of Sciences" ("PNAS").
A pesquisa, realizada por psiquiatras e neurocientistas da Universidade Washington de Saint Louis, "sugere um claro vínculo entre a criação e o tamanho do hipocampo", explica a professora de psiquiatria infantil Joan L. Luby, uma das autoras.
Para o estudo, os especialistas analisaram imagens cerebrais de crianças com idades entre 7 e 10 anos que, quando tinham entre 3 e 6 anos, foram observados em interação com algum de seus pais, quase sempre com a mãe.
Foram analisadas imagens do cérebro de 92 dessas crianças, algumas mentalmente saudáveis e outras com sintomas de depressão. As crianças saudáveis e criadas com afeto tinham o hipocampo quase 10% maior que as demais. "Ter um hipocampo quase 10% maior é uma evidência concreta do poderoso efeito da criação", ressalta Luby.
A professora defende que os pais criem os filhos com amor e cuidado, pois, segundo ela, isso "claramente tem um impacto muito grande no desenvolvimento posterior".
Durante anos, muitas pesquisas enfatizaram a importância da criação, mas quase sempre focadas em fatores psicossociais e no rendimento escolar. O trabalho publicado nesta segunda-feira, no entanto, "é o primeiro que realmente mostra uma mudança anatômica no cérebro", destaca Luby.
Embora em 95% dos casos estudados as mães biológicas tenham participado do estudo, os pesquisadores indicam que o efeito no cérebro é o mesmo se o responsável pelos cuidados da criança é o pai, os pais adotivos ou os avós.
http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/criancas-criadas-com-afeto-tem-maior-area-cerebral-ligada-a-memo/n1597607051431.html
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01/02
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Governo fecha ano sem concluir nenhuma creche
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Publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 30/01/2012
Promessa de entregar 6.427 unidades até 2014 está atrasada; de R$ 2,3 bi empenhados, ProInfância só pagou até agora R$ 383 milhões
ALANA RIZZO / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Para cumprir uma promessa de campanha feita pela presidente Dilma Rousseff, o Ministério da Educação terá que inaugurar pelo menos 178 creches por mês, ou cinco por dia, até o fim de 2014. Na disputa presidencial de 2010, Dilma afirmou que iria construir 6.427 creches até o fim de seu mandato, mas a promessa está longe de se concretizar.
O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), responsável pelo ProInfância - que cuida da construção dessas creches - pagou até agora R$ 383 milhões dos R$ 2,3 bilhões empenhados. No primeiro ano de governo, a execução do ProInfância ficou em 16%. Nenhuma obra foi concluída.
Principal aposta do PT nas eleições de 2012, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad deixou o ministério para se candidatar à Prefeitura de São Paulo sem entregar nenhuma das creches prometidas pela presidente. Nas últimas campanhas em São Paulo, as creches têm sido destaque. Seu sucessor, Aloizio Mercadante, tomou posse na última terça-feira prometendo atender à promessa de Dilma. "Vamos cumprir a meta de criar mais de 6 mil creches e dar às crianças brasileiras em fase pré-escolar acolhimento afetivo, nutrição adequada e material didático que as preparem para a alfabetização", disse o ministro.
Na campanha, Dilma chegou a fixar a meta de construir 1,5 mil unidades de ensino por ano. Reforçou a promessa no programa de rádio da Presidência: "A creche é também muito importante para as mães, para que possam sair para trabalhar tranquilas, sabendo que seus filhos estão recebendo atenção e cuidados," disse na última segunda-feira.
Déficit. O déficit do País hoje é de 19,7 mil creches. Para se alcançar uma das metas do Plano Nacional de Educação é preciso triplicar o número de matrículas nessas unidades. O plano propõe aumentar a oferta de educação infantil para que 50% da população até três anos esteja em creches até 2020. Atualmente, esse índice está em 16,6%.
Norte e Nordeste têm os menores porcentuais de matrículas nessa faixa etária, segundo o Movimento Todos pela Educação. A pior situação é a do Amapá, que tem menos de 4% das crianças matriculadas. Em São Paulo, a taxa de matrículas é de 26,7%.
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30/01
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Depressão infantil pode aparecer a partir dos 4 anos
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Publicado no Portal IG - Delas, em 27/01/2012
O transtorno mental que mais atinge pacientes no mundo se aproxima das crianças, mas pode ser tratado – e, quanto mais cedo, melhorAna Carolina Addario, especial para o iG São PauloEm uma lista com 13 possíveis sintomas da depressão, é preciso que a criança apresente pelo menos cinco para confirmar o diagnóstico
Sob a forma de noites mal dormidas, insociabilidade, tristeza, alterações de humor como irritação e choro frequente, sofrimento moral e sentimento de rejeição, uma epidemia silenciosa pode se espalhar entre as crianças de todo o país, independentemente de condição social, econômica e cultural. Provocada por fatores que vão desde a predisposição genética até a experiência de episódios traumáticos no ambiente familiar, a depressão infantil traz problemas de gente grande para a mente ainda em desenvolvimento das crianças. Nos próximos 20 anos, a depressão deverá se tornar a doença mais comum do mundo, atingindo mais pessoas do que o câncer e os problemas cardíacos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Atualmente, mais de 450 milhões de pessoas são afetadas por transtornos mentais diversos, a maioria delas nos países em desenvolvimento.Entre os pequenos, o índice de depressão também é preocupante. Nos últimos 10 anos, de acordo com a OMS, o número de diagnósticos em crianças entre 6 e 12 anos passou de 4,5 para 8%, o que representa um problema ascendente. "Setenta por cento dos adultos que apresentam quadro de depressão crônica têm histórico desde o período da infância. Ou seja, se não tratarmos o paciente enquanto criança, podemos contribuir para que ele se transforme em um adulto depressivo", conta Fábio Barbirato Nascimento da Silva, neuropsiquiatra especialista em infância e adolescência da Associação Brasileira de Psiquiatria.O transtorno pode ser diagnosticado em crianças a partir dos 4 anos. Até os 9 anos, é indicado tratamento apenas à base de terapia. A partir dessa idade, de acordo com o quadro do paciente, pode ser recomendado o uso de medicação em paralelo ao acompanhamento psicológico. "A terapia sozinha fará um trabalho eficiente em longo prazo. No entanto, em crianças mais velhas, o uso de medicamento tem efeito bastante satisfatório quando acompanhado do trabalho psicológico, levando à resolução do problema em apenas dois meses em 95% do casos", completa.As causas para a depressão infanto-juvenil podem ser as mais diversas. Há fatores biológicos, como vulnerabilidade genética, complicações obstétricas e temperamento; fatores ambientais, como o funcionamento familiar, a interação entre mãe e criança ou eventos adversos de vida, e fatores sociais, como a pobreza, o suporte social ou o acesso a serviços de saúde. A convivência com uma psicopatologia dos pais e a experiência de episódios traumáticos nesta idade, como separação, luto ou mudanças radicais de ambiente, também podem ser fatores decisivos para o desencadeamento de transtornos mentais em crianças e adolescentes.Fatores de berçoDe acordo com Ana Vilela Mendes, psicóloga e pesquisadora do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP, de 40 a 45% das crianças que convivem com a depressão materna apresentam indicadores diagnósticos de pelo menos um transtorno psiquiátrico. Esta taxa é de três a quatro vezes maior do que a apresentada por crianças cujas mães não têm história psiquiátrica. "As manifestações próprias do quadro depressivo materno, como irritabilidade, desânimo e apatia, podem influenciar na qualidade do vínculo que a mãe estabelece com a criança, comprometendo a interação e o funcionamento emocional e social da criança", afirma ela.O nível de exposição da criança à mãe com diagnóstico de depressão também pode ser definitivo para o desenvolvimento de seu quadro. Em estudo recente, Ana Vilela comparou crianças em idade escolar que conviveram com a depressão materna por toda a vida a crianças que conviveram com a depressão materna por um período menor de tempo. Ela constatou que as crianças com mais tempo de exposição à depressão materna apresentaram uma probabilidade 1,6 vezes maior de terem problemas psiquiátricos."Estes resultados reafirmam a importância de se considerar o tempo de exposição da criança à depressão materna e sua influência nos diferentes períodos do desenvolvimento", constata. Daí a importância da psiquiatria e da psicologia em favorecer o diagnóstico ainda no começo de sua manifestação.Diagnóstico delicadoPor tratar-se de um transtorno mental impassível de comprovação laboratorial, o diagnóstico da depressão é baseado nos critérios estipulados pelo Manual de Estatística e Diagnóstico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), que exige a existência de pelo menos cinco dos sintomas determinados pelo documento, com durabilidade de duas semanas, para comprovação do quadro. Entretanto, em crianças em plena fase de desenvolvimento da personalidade, a aplicação do diagnóstico pode ser mais complexa e delicada."Não é um diagnóstico simples de se obter, pois os sintomas podem ser confundidos com timidez, mau humor, dificuldade de aprendizagem, tristeza ou agressividade, que de certa forma podem ser normais na faixa etária em questão. O que diferencia a depressão das tristezas do dia a dia é a intensidade, a persistência e as mudanças em hábitos normais das atividades da criança", afirma Ana Vilela.Um estudo realizado pela antropóloga Eunice Nakamura, pelo Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP), revelou que não é apenas a complexidade da mente em desenvolvimento que pode ampliar a noção dos sintomas que causam a depressão. O estudo, que entrevistou famílias de regiões periféricas da cidade de São Paulo, constatou que diversos aspectos apontados como possíveis sintomas pelos pais e pelas próprias crianças diagnosticadas ultrapassam os critérios determinados pelo Manual de Estatística e Diagnóstico de Transtornos Mentais."Do ponto de vista das famílias, o significado de depressão envolve tanto os aspectos da vida social quanto os sintomas indicados pelo discurso médico. A intolerância dos adultos em relação às crianças, que diante de condições de vida deliciadas ficam mais sensíveis e chorosas, e a ideia de insatisfação em geral, por exemplo, apareceram como indicação de sintomas de depressão", conta professora Eunice Nakamura, atualmente no núcleo de pesquisa antropológica da Unifesp Santos. "Já que a ideia de depressão infantil, para estas famílias, envolve uma série de fatores externos, o grande desafio dos especialistas é pensar em tratamentos adequados ao que se avalia diante de cada ponto de vista da doença, uma vez que aspectos externos podem ser confundidos com sintomas", completa.Transformação dos sintomasAlteração de humor, irritabilidade, dificuldade para dormir ou muito sono durante o dia, além de pessimismo e autodepreciação, são comuns ao quadro de depressão encontrado tanto no adulto quanto no jovem. Mas em um momento em que a personalidade da criança está em pleno desenvolvimento, diagnosticar um transtorno mental é ainda mais difícil.Segundo Fábio Barbirato, crianças em idade pré-escolar (até 5 anos) tendem a desenvolver sintomas como melancolia, enurese (xixi na cama), encoprese (eliminação de fezes involuntária) e crises de choro. Também podem ocorrer regressão no desenvolvimento psicomotor, insônia e pesadelos. Em crianças na idade escolar (de 6 a 12 anos), os sintomas estão mais relacionados a aspectos de sociabilidade, como dificuldade acadêmica, problemas de relacionamento com a família e os colegas, irritabilidade e agressão crescentes, tédio, ganho ou perda de peso excessivo, cefaleia e dores de estômago.Já entre os adolescentes, o transtorno passa não apenas a intensificar os sintomas encontrados na infância, como desencadeia uma série de comportamentos até mesmo fatais. "Esta fase do transtorno provoca nos jovens comportamentos anedóticos (incapacidade de sentir prazer), com quadros de tristeza intensa, condutas antissociais, ataques de pânico, queda no rendimento escolar, hipersonia (sonolência em excesso), e em casos mais extremos, promiscuidade sexual, abuso de drogas e até mesmo suicídio", afirma o médico.SintomasO Manual de Estatística e Diagnóstico de Transtornos Mentais determina a necessidade de identificar pelo menos cinco destes sintomas, com durabilidade de duas semanas, para comprovação do quadro. Fique atenta a esses sinais para saber quando levar seu filho para uma avaliação profissional.1. Alteração de humor, com irritabilidade e ou choro fácil2. Ansiedade3. Desinteresse em atividades sociais, como ir a escola, brincar com os amigos ou com brinquedos4. Falta de atenção e queda no rendimento escolar5. Distúrbios de sono, como dificuldade pra dormir ou ter sono o dia inteiro6. Perda de energia física e mental7. Reclamações por cansaço ou ficar sem energia8. Sofrimento moral ou insatisfação consigo mesmo, sentimento de que nada do que faz está certo9. Dores na barriga, na cabeça ou nas pernas10. Sentimento de rejeição11. Condutas antissociais e destrutivas12. Distúrbios de peso, emagrecer ou engordar demais13. Enurese e encoprese (xixi na cama e eliminação involuntária das fezes)
http://delas.ig.com.br/filhos/depressao+infantil+pode+aparecer+a+partir+dos+4+anos/n1237800272239.html
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