Referências

Carneiro, P.M. e Heckman, J. J. Human Capital Policy. Londres: Institute for the Study of Labour (IZA): IZA discussion paper 821.

As evidências aportadas pelas neurociências demonstram que os primeiros anos de vida, da concepção aos 3 anos, definem a base para a vida, pois têm influência significativa no desenvolvimento global do ser humano. Pesquisas têm mostrado que a quantidade e a qualidade dos estímulos que a criança recebe do ambiente em que cresce, desde sua concepção, afetam seu potencial de desenvolvimento físico, cognitivo e psicossocial. Este, por conseqüência, tem influência direta na capacidade da criança tornar-se um adulto saudável e competente, em todos os aspectos de sua vida.

Dessa forma, as ciências humanas comprovam a necessidade de se investir no período da concepção aos 3 anos, enfatizando a qualidade das relações iniciais da criança com seus primeiros cuidadores, geralmente mãe, pai e familiares.

As ciências econômicas igualmente valorizam investimentos nos primeiros anos de vida, ao apontar sua correlação com o desenvolvimento socioeconômico de uma população. Os estudos liderados pelo Prêmio Nobel de Economia em 2000, James Heckman, evidenciam que os cuidados adequados na primeira infância geram altos retornos socioeconômicos que são superiores a qualquer outro tipo de retorno de investimento econômico ou social. Tais retornos referem-se a situações de renda, níveis de escolaridade, empregabilidade e susceptibilidade a problemas como gravidez precoce, prisão juvenil, e doenças mentais.

Uma possível explicação para esses resultados é o efeito cumulativo da aquisição de habilidades: competência gera competência. Quanto mais cedo e com maior qualidade se investir, mais se aprende e se acumula competência.

Esses conhecimentos têm, cada vez mais, corroborado a importância dos relacionamentos afetivos entre mãe e concepto, durante o período pré-natal, e mãe e criança, mos primeiros meses de vida. Considerando que existe uma tendência genética (nature) na determinação do comportamento humano, é sabido que este sofrerá influências do entorno no qual a criança se desenvolverá (nurture). Dessa forma, a relação que se estabelecerá com os primeiros cuidadores, em geral mãe e pai, é de fundamental valor. Essas serão as pessoas que, inicialmente, acolherão o bebê, levando-se em conta que se trata de um ser inteiramente dependente e que necessitará da continência de adultos para lhe transmitir afeto e a segurança de que estará bem protegido.

É no período inicial da vida que se estabelece boa parte da citoarquitetura cerebral, bem como sua organização sináptica, que se estrutura, por sua vez, pela determinação genética e, em definitivo, pelas relações interpessoais iniciais que a criança estabelecerá com o seu entorno, ou seja, com seus cuidadores (epigenética). Essas relações vinculares irão modelando e estabelecendo a estruturação psíquica do indivíduo, criando sólidas bases para o seu futuro desenvolvimento integral.

O vínculo afetivo entre mãe e bebê tem início já na gestação e vai se formando de acordo com as interações e os acontecimentos ocorridos. Assim, os sentimentos vivenciados, especialmente pela mãe, desde a gestação, têm influência direta na formação ou ruptura deste vínculo e consequentemente no desenvolvimento integral do bebê.

É igualmente importante a presença do pai (ou de amigos e familiares) para dar apoio à mãe que também necessita se sentir segura e confiante para estar física e emocionalmente disponível ao bebê. A qualidade do vínculo afetivo pai-mãe-bebê terá impacto direto no sentimento de segurança que o bebê precisa possuir para um adequado desenvolvimento e consequentemente para sua saúde, seu aprendizado, seu comportamento e suas emoções durante a vida.

Em resumo, o cuidado adequado - oferecido geralmente pelos pais, familiares e educadores - nos primeiros anos de vida, cria e potencializa as condições da criança para se tornar um indivíduo equilibrado emocionalmente, capaz de aprender e de ser um cidadão autônomo, solidário e participativo, contribuindo para a melhoria da sociedade.

O investimento em programas que disseminem e apliquem os conceitos de Desenvolvimento Infantil (DI) é uma urgência, no Brasil e no mundo, que demanda um olhar integral e integrado para a criança e o envolvimento de toda sociedade.

Saiba mais sobre a importância e desafio dos programas de Desenvolvimento Infantil

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