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Referências
Claudia Medeiros de Castro Lia Rachel Colussi Cypel |
DIA importância de um atendimento abrangenteQuando uma mulher suspeita estar grávida, ou encontra-se nos primeiros dias/semanas da confirmação da gravidez - no primeiro trimestre da gestação -, e vive a ambivalência de sentimentos característica do período, dificilmente encontrará espaço junto à sua rede familiar ou nos serviços de saúde para falar de suas dúvidas, fantasias e medos relacionados à gestação. A expectativa dos que compõe seu grupo social (companheiro, familiares e amigos) e dos próprios profissionais de saúde é a de que a mulher sinta e expresse apenas a felicidade proporcionada pela gestação e que esta seja forte o suficiente para evitar conflitos psíquicos e até mesmo sociais, como a carência de recursos financeiros, que faz com que o cotidiano seja ameaçador e a vinda de um novo ser sentida como algo que vai tornar mais difícil a sobrevivência da mulher que o gesta e daqueles que dela dependem. A consideração destes aspectos nos leva a propor o vínculo afetivo como eixo estruturante de nossa intervenção, é fundamental que os serviços de saúde garantam espaço adequado para o acolhimento emocional da gestante desde o primeiro trimestre gestacional. Cabe destacar que o acolhimento, um dos eixos e diretrizes da Política Nacional de Humanização e da Atenção Obstétrica e Neonatal do Ministério da Saúde, é assim descrito: “...implica a recepção da mulher, desde sua chegada na unidade de saúde, responsabilizando-se por ela, ouvindo suas queixas, permitindo que ela expresse suas preocupações, angústias, garantindo atenção resolutiva e articulação com os outros serviços de saúde para a continuidade da assistência, quando necessário. Cabe à equipe de saúde, ao entrar em contato com uma mulher gestante, na unidade de saúde ou na comunidade, buscar compreender os múltiplos significados da gestação para aquela mulher e sua família, notadamente se ela for adolescente.(Brasil, 2006). Consideramos que o acolhimento afetivo na fase inicial é que propiciará à gestante condições emocionais para aderir às atividades contidas no acompanhamento pré-natal, como retorno às consultas, realização de exames laboratoriais e retorno para consulta puerperal após a gestação. Proporcionará também condições para que esteja disponível para receber as informações sobre as modificações psíquicas e corporais, sobre a importância dela, gestante, para o desenvolvimento físico e emocional do bebê, sobre auto-cuidado, o que promoverá a saúde física e mental de ambos. Esperamos que os serviços de saúde passem do pré-natal convencional para o “pré-natal abrangente”, o que significa atenção aos aspectos biopsicossociais da gestante e a valorização de sua rede de apoio social, que tem como base a família. Vale destacar que muitas mulheres viverão a experiência da gestação integradas numa rede familiar ampliada, o que nos faz considerar que se, como afirmado por Soifer, “o parto é um fato social” (1980:60), o mesmo se aplica à gravidez. Portanto, na atenção pré-natal há que se considerar não apenas o companheiro ou marido, mas também a família como elemento importante para aceitação da gravidez e investimento no pré-natal, incluindo-os como elementos importantes nas medidas psicoprofiláticas. Contribuições do I Workshop da FMCSV Leia também as contribuições da I Workshop Anual da FMCSV (2007) sobre exemplos de políticas públicas que orientam o trabalho profissional em prol do Desenvolvimento Infantil |
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